Estão querendo demolir a memória de Claudão?
| Ex-Prefeito Cláudio Cerqueira Bastos (Claudão) |
A demolição causa indignação entre atletas, moradores e frequentadores da área pela ausência de diálogo prévio com a comunidade. Segundo as redes sociais da Prefeitura, a justificativa é por causa do projeto de revitalização da Beira-Rio.
| Reforma do Half-Pipe realizada pelo ex-secretário de Esporte e Lazer Eduardo do Toldo |
Recentemente a pista foi reformada e pintada pelo ex-secretário de Esporte e Lazer e atual vereador Eduardo do Toldo, que tinha o projeto de transformar o local em uma escola de skate, que só não foi levado adiante porque o prefeito da época, Alfredão, não foi reeleito e o atual secretário de esportes não deu continuidade.
O episódio se torna ainda mais grave diante de uma declaração recente do secretário municipal de Turismo, Robson Junior, que afirmou que a concha acústica da Avenida Cardoso Moreira também estaria nos planos de demolição da atual gestão. Outro equipamento público construído na era Claudão. Outro espaço carregado de memória afetiva e importância cultural.
A concha acústica, hoje abandonada pelo poder público municipal, já foi palco de grandes apresentações musicais, eventos culturais e manifestações artísticas que marcaram gerações. O abandono, por si só, já representa um desrespeito. A demolição, sem justificativa técnica convincente e sem debate público, seria o golpe final contra um patrimônio que poderia — e deveria — ser revitalizado.
| Apresentação de coral infantil na concha acústica de Itaperuna |
É impossível ignorar o padrão que começa a se desenhar. Obras emblemáticas de uma gestão passada, associadas diretamente à figura de Claudão, estão sendo sistematicamente descartadas. A pergunta que ecoa nas ruas de Itaperuna é inevitável: trata-se de planejamento urbano ou de um projeto deliberado de apagar marcas políticas e históricas?
Só para lembrar: já derrubaram o Clube Renascença, construído por Claudão. A arquibancada do Itaperuna Esporte Clube, antigo Porto Alegre, também construída por ele, se encontra em ruinas. O que mais falta para apagarem sua memória em definitivo? Derrubarem o Cristo Redentor e a sua estátua na ponte que liga o Centro ao Fiteiro?
Cidades que respeitam sua história não destroem seus símbolos; cuidam deles. Reformam, modernizam, adaptam. Demolir é sempre a solução mais fácil — e quase sempre a mais pobre do ponto de vista cultural e social. Especialmente quando se trata de espaços públicos que atendem a juventude, à cultura e ao esporte, áreas que já sofrem historicamente com a falta de investimento.
Ao demolir o half-pipe, a prefeitura não apresentou alternativa para os skatistas. Ao cogitar derrubar a concha acústica, não apresentou um projeto cultural substituto. O vazio deixado por essas ações não é apenas físico; é simbólico. É o esvaziamento do compromisso com a memória coletiva e com políticas públicas que dialoguem com a população.
Claudão, goste-se ou não de seu legado político, deixou marcas concretas na cidade. Marcas que fazem parte da história de Itaperuna. Questionar, reformar ou ressignificar essas obras é legítimo. Apagá-las, sem diálogo e sem propósito claro, não é.
Fica o alerta: destruir a memória não constrói futuro. E Itaperuna precisa, mais do que nunca, de gestão, diálogo e respeito à sua própria história.
Por Fred Boechat.
Imagens: Google e blog Atualiza Geral
Colaboração: Umberto Malaphaia
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