Mãe aciona Justiça contra pai de menino com arma em ato bolsonarista no RN

Caso ocorreu em Parnamirim e provocou reação do Conselho Tutelar, da Polícia e do Ministério Público. Mãe afirma que não sabia que o filho havia sido levado ao ato e busca regularizar judicialmente a guarda.

 Por Fred Boechat | O Progresso

Uma criança de apenas 9 anos acabou no centro de uma investigação depois de aparecer em vídeos, durante um ato político em Parnamirim, na Grande Natal (RN),portando objeto semelhante a armas enquanto estava sobre um carro, cercada por adultos. As imagens viralizaram nas redes sociais e levaram a mãe do menino ao procurar o Conselho Tutelar e a Justiça. 


Segundo informações repassadas pela conselheira tutelar Amanda Melo, a mãe afirmou que não sabia que o filho havia sido levado pelo pai ao ato. Os dois estão separados há cerca de oito anos e nunca formalizaram judicialmente a guarda da criança. Havia apenas um acordo informal segundo o qual o menino permaneceria com a mãe durante uma semana e com o pai nos fins de semana.

O episódio ganhou repercussão após a divulgação dos vídeos, inicialmente associados às comemorações pela votação de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições. Uma criança aparece dançando sobre um veículo e, em determinado momento, segurando um objeto semelhante a uma pistola. Em outra imagem, também aparece algo parecido com um fuzil. Há divergências sobre os dados exatos da gravação que ainda precisam ser esclarecidas.

A mãe contou ao Conselho Tutelar que recebeu as imagens de amigos e ficou desesperada com a situação. Depois de tomar conhecimento da repercussão, ela determinou que o pai não tivesse mais contato com o filho até que a Justiça se manifestasse sobre a guarda e as circunstâncias do episódio.

O Conselho Tutelar acionou a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e comunicou o Ministério Público. A Polícia confirmou que identificou os pais e está apurando o caso, que tramita sob segredo de Justiça. Até o momento, portanto, não há conclusão sobre eventual responsabilidade criminal.

Arma de brinquedo não encerra a questão

De acordo com o conselho tutelar, o pai informou que o objeto levado pela criança era uma arma de brinquedo. Mesmo assim, a situação é considerada preocupante pelas autoridades responsáveis ​​pelo atendimento do caso.

Amanda Melo afirmou que, mesmo sendo um simulacro, a exposição da criança com um objeto semelhante a uma arma pode representar risco, inclusive porque, à distância, policiais ou outras pessoas podem não conseguir distinguir imediatamente um brinquedo de uma arma real.

A própria conselheira fez questão de afirmar que sua atuação não está relacionada à posição política da família. Embora tenha declarado ser um apoiador da direita, disse que a questão central é a proteção da criança e classificou a atitude do pai como um erro.

A criança ficou abalada

Mais do que a disputa política que tomou conta das redes sociais, o episódio teve consequências diretas para o menino.

Segundo relato da mãe ao Conselho Tutelar, a criança ficou muito abalada com a repercussão das imagens, chorou e demonstrou vergonha diante da exposição pública. O menino passou a receber acompanhamento psicológico. Posteriormente, segundo a conselheira, voltou à escola depois de receber o apoio dos amigos.

O caso deixa uma questão que deveria estar acima de qualquer disputa política: a criança não é instrumento de manifestação de adulto, seja qual for uma bandeira, uma ideologia ou uma preferência política.

Participar de um ato político é um direito. Defender uma posição política também. Mas esse direito encontra limites quando envolve a segurança e a exposição de uma criança.

Agora, caberá às autoridades responsáveis ​​esclarecer exatamente o que aconteceu, verificar as estatísticas da exposição e determinar quais medidas são necessárias para preservar o bem-estar do menino.

Enquanto isso, uma disputa política segue seu curso. Mas, neste episódio, deveria haver um consenso mínimo: nenhuma criança deveria ser colocada no centro de uma situação que representasse risco à sua segurança física ou emocional.

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