Lula cresce na reta final, abre vantagem sobre Flávio e reacende debate sobre vitória no primeiro turno

 

A menos de uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais, a fotografia da disputa começa a apresentar uma mudança importante: Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ampliar sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro. Na nova pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (28), o presidente aparece com 39% das intenções de voto, contra 34% do senador do PL. Na rodada anterior, realizada entre 17 e 20 de setembro, Lula tinha 37% e Flávio, 33%.

O movimento também aparece no levantamento BTG/Nexus, que colocou Lula em 42% e Flávio em 37% no primeiro turno. Na pesquisa anterior, Lula tinha 40%, enquanto Flávio permanecia nos mesmos 37%. Ou seja: em apenas uma semana, o presidente ganhou dois pontos, enquanto o adversário ficou estacionado. O Datafolha, divulgado também nesta segunda-feira, reforça a fotografia: Lula aparece com 40%, contra 36% de Flávio.

O primeiro fator a ser observado é que o crescimento de Lula não ocorre necessariamente porque o eleitorado tenha passado a avaliar o governo de maneira amplamente positiva. A pesquisa BTG/Nexus mostra uma situação bastante mais complexa: 46% aprovam a administração federal, mas 49% desaprovam, enquanto 51% consideram a situação econômica brasileira ruim ou péssima. Portanto, a melhora eleitoral do presidente parece estar relacionada a uma combinação de fatores, e não simplesmente a uma explosão de popularidade do governo.



Entre esses fatores está a própria estrutura do eleitorado lulista, que permanece bastante consolidada. O Datafolha mostra Lula com vantagem expressiva entre eleitores de menor renda e escolaridade, além de forte desempenho no Nordeste. Entre quem recebe Bolsa Família ou vive em domicílio de beneficiário, Lula aparece com 52%, contra 27% de Flávio. A pesquisa também registra vantagem petista entre católicos e entre eleitores das regiões metropolitanas.

Outro elemento importante é o limite de crescimento de Flávio Bolsonaro. O senador permanece competitivo e mantém praticamente todo o eleitorado bolsonarista mais identificado, mas sua rejeição continua muito elevada. Na BTG/Nexus, 51% dizem que não votariam nele de jeito nenhum, contra 48% de rejeição a Lula. No Datafolha, ambos aparecem com 45% de rejeição. Isso significa que os dois candidatos possuem bases muito sólidas, mas também enfrentam dificuldades para ampliar sua votação muito além do eleitorado já convencido.

A chamada terceira via, por sua vez, continua sem conseguir transformar seus percentuais em uma ameaça concreta à polarização. Na Quaest, Augusto Cury e Ronaldo Caiado aparecem com 4% cada, enquanto Renan Santos marca 3% e Romeu Zema, 1%. No BTG/Nexus, Cury tem 5%, Caiado 4% e Renan Santos também 4%. É justamente esse espaço pulverizado que pode se tornar decisivo nos últimos dias: caso parte desses eleitores migre para Lula ou Flávio, a disputa poderá sofrer nova alteração. 



E aqui está o ponto que começa a alimentar uma discussão que, até pouco tempo atrás, parecia distante: é possível uma vitória no primeiro turno? Sim, matematicamente é possível — mas os números atuais ainda estão muito abaixo desse patamar. Pela Constituição, um candidato à Presidência precisa obter maioria absoluta dos votos válidos, ou seja, mais de 50% dos votos destinados aos candidatos, excluindo brancos e nulos. Se ninguém alcançar essa marca, os dois mais votados disputam o segundo turno.

Hoje, portanto, falar em primeiro turno exige olhar para uma eventual combinação de fatores: crescimento adicional de Lula, redução dos percentuais dos demais candidatos e concentração dos votos úteis em torno da candidatura que lidera. O Datafolha, por exemplo, calcula Lula com 43% dos votos válidos, contra 39% de Flávio, enquanto a Quaest registra uma vantagem de cinco pontos no universo total de entrevistados. É uma fotografia favorável ao presidente, mas ainda distante da maioria absoluta necessária para encerrar a eleição na primeira votação.

O dado politicamente mais relevante desta reta final talvez seja outro: a disputa deixou de apresentar a recuperação de Flávio observada em alguns levantamentos anteriores e passou a registrar, simultaneamente, Lula crescendo ou se mantendo em alta e o adversário estabilizado. Isso não significa que a eleição esteja decidida — muito menos que seja possível antecipar o resultado das urnas. Mas significa que os últimos dias de campanha ganharam peso extraordinário. Se a tendência registrada por Quaest, BTG/Nexus e Datafolha persistir, a discussão sobre voto útil e concentração eleitoral deverá ocupar ainda mais espaço no debate político.

O Brasil chega, portanto, à última semana diante de uma eleição que continua aberta, mas com uma mudança importante na direção das pesquisas. Lula recuperou terreno justamente quando a campanha entra na fase em que milhões de eleitores consolidam suas escolhas. Flávio Bolsonaro continua competitivo e mantém uma base eleitoral expressiva, mas precisa interromper a distância que começa a se abrir nos levantamentos. Para Lula, a equação é igualmente clara: transformar a vantagem atual em maioria absoluta dos votos válidos seria o caminho para evitar o segundo turno. Se isso acontecerá, somente as urnas poderão responder. Até lá, as pesquisas registram uma tendência — e, nesta reta final, cada ponto percentual passou a valer uma pequena eternidade política.

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