Fatal Model: Corinthians recebe proposta e Flamengo vira alvo — mas nega negociação

 


A saída das casas de apostas do futebol brasileiro mal começou a produzir seus efeitos e o mercado já encontrou uma maneira, digamos, criativa de procurar substitutos. Menos de 48 horas depois da medida do governo federal que restringiu a atuação das bets no país, a Fatal Model, plataforma de anúncios de acompanhantes, apresentou ao Corinthians uma proposta de R$ 120 milhões por um ano para assumir o espaço de patrocinador máster. A empresa também anunciou interesse no Flamengo.

No caso do Corinthians, a proposta é real e foi confirmada pelo próprio clube ao UOL. A oferta seria independente do contrato que o Timão já mantém com a Fatal Fans, empresa do mesmo grupo, que atualmente estampa sua marca no calção da equipe masculina. O acordo existente foi firmado em junho, por R$ 22 milhões, podendo chegar a R$ 31 milhões com uma eventual renovação.

A movimentação acontece justamente quando os clubes brasileiros começam a fazer as contas provocadas pelo fim das bets. O Corinthians, por exemplo, tinha na Esportes da Sorte uma importante fonte de receita: o contrato renovado em fevereiro prevê R$ 150 milhões fixos por temporada, podendo alcançar R$ 200 milhões com metas. A medida do governo colocou esse planejamento financeiro sob pressão.

E eis que surge a Fatal Model, aparentemente disposta a dizer ao mercado: “se a bet não pode, a gente conversa”.

A estratégia tem lógica comercial. As empresas de apostas ocuparam nos últimos anos os principais espaços publicitários do futebol brasileiro e elevaram os valores dos patrocínios. Com a saída repentina desse dinheiro, abriu-se um enorme buraco nas camisas dos clubes — e, como ensina a velha sabedoria do futebol, onde existe espaço na camisa existe alguém disposto a pagar para preenchê-lo.

No Corinthians, a proposta de R$ 120 milhões representaria uma tentativa de recompor parte da receita perdida. O clube, entretanto, ainda não anunciou qualquer acordo. E há um detalhe importante: o valor oferecido equivale a uma quantia inferior aos R$ 150 milhões fixos que a Esportes da Sorte tinha previsto pagar anualmente pelo espaço principal da camisa.



E o Flamengo? Calma lá...

A situação envolvendo o Flamengo ganhou um capítulo diferente. A Fatal Model afirmou ter enviado uma proposta ao clube carioca, mas o Flamengo negou neste domingo que exista negociação e classificou como falsas as informações sobre um possível acordo nos termos divulgados. O clube informou ainda que seu departamento jurídico está tomando providências contra a divulgação de informações e imagens de uma camisa com a marca da empresa.

Ou seja: enquanto no Parque São Jorge a proposta chegou de verdade, na Gávea a história acabou entrando em campo sem sequer ter sido relacionada no BID. O Flamengo também busca valores superiores aos R$ 120 milhões oferecidos ao Corinthians, segundo a apuração do UOL, e os pagamentos referentes ao contrato da Betano em 2026 já foram realizados.

A movimentação, porém, revela algo maior do que uma simples disputa por espaço nobre em camisa de futebol. O fim das bets abriu uma guerra por publicidade no esporte brasileiro. Durante anos, as casas de apostas despejaram dinheiro em clubes, emissoras, influenciadores e competições. Agora, com a mudança determinada pelo governo, todos esses espaços precisam encontrar novos ocupantes — e o mercado já está mostrando que não pretende deixar nenhum outdoor vazio.



Para o futebol, a questão é financeira. Para os clubes, é também uma questão de sobrevivência orçamentária. A proibição atinge uma fonte que se tornou relevante para as receitas da elite nacional, e os dirigentes terão de buscar alternativas para compensar a perda. Segundo dados citados pelo InfoMoney, 14 dos 20 clubes da Série A tinham empresas de apostas como patrocinadoras máster, enquanto os patrocínios de bets representaram cerca de R$ 1,14 bilhão nas receitas dos clubes da primeira divisão em 2025.

No fim das contas, o futebol brasileiro está descobrindo que dinheiro não costuma desaparecer: ele apenas troca de camisa. Sai a bet, aparece outro anunciante. E, enquanto Corinthians avalia uma proposta milionária e Flamengo diz que não está negociando, o mercado publicitário segue procurando quem será o próximo dono do espaço mais cobiçado do uniforme.

Porque, no futebol brasileiro, aparentemente até quando o governo manda o jogo parar, o departamento comercial continua jogando nos acréscimos.

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