Comitê do PSOL de Itaperuna é alvo de vandalismo; episódio reacende debate sobre violência política
Por Fred Boechat | O Progresso
O Comitê do PSOL de Itaperuna, localizado na Rua Coronel Luís Ferraz, no Centro da cidade, próximo ao Hospital São José do Avaí, foi alvo de vandalismo na manhã desta segunda-feira (21). Segundo informações repassadas por um militante do partido à reportagem, dois jovens teriam retirado cartazes políticos que estavam afixados na parte externa da sede e, em seguida, deixado o local correndo.
De acordo com o relato, a ação teria ocorrido de maneira coordenada. Os dois jovens estariam usando jalecos brancos, o que levou o militante a supor que poderiam ser universitários. A reportagem ressalta, entretanto, que não há confirmação sobre a identidade, profissão ou vínculo dos envolvidos com qualquer instituição de ensino.
Ainda segundo o relato, depois que os cartazes foram arrancados, um segundo militante do partido conseguiu alcançar um dos jovens. Na ocasião, teria sido possível recuperar um dos materiais retirados da fachada, mas o cartaz já estava rasgado. O episódio foi posteriormente relatado nas redes sociais por um integrante da legenda, que publicou uma manifestação de repúdio ao ocorrido.
Até o momento, os representantes do PSOL de Itaperuna não registraram ocorrência policial sobre o caso. Dessa forma, não há investigação oficial conhecida que permita estabelecer a identidade dos envolvidos, a motivação da ação ou eventual responsabilidade criminal. Também não há, até o momento, informação que permita afirmar que os autores tenham agido por orientação de qualquer grupo político.
O episódio acontece em um período de forte polarização política no país e às vésperas das eleições de 2026. Nos últimos anos, episódios de violência, depredação e ataques relacionados à disputa política passaram a integrar o debate nacional sobre a preservação do ambiente democrático. Em janeiro deste ano, a Agência Brasil informou que o Supremo Tribunal Federal havia condenado 1.399 pessoas por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo casos de dano ao patrimônio público.
Também existem atualmente preocupações institucionais relacionadas à escalada da tensão política. Em setembro, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e a Academia Brasileira de Ciências, juntamente com outras entidades, defenderam apuração rigorosa e imparcial de conflitos institucionais e alertaram para o risco de a instabilidade ser utilizada para alimentar desinformação ou ataques ao regime democrático.
Para O Progresso, o ponto central do episódio de Itaperuna é que divergência política não pode ser confundida com autorização para destruir, arrancar ou danificar material de quem pensa diferente. Ao mesmo tempo, é importante evitar conclusões antecipadas: não existem, nas informações disponíveis até o momento, elementos suficientes para classificar os dois jovens como integrantes da extrema direita ou atribuir a eles uma motivação ideológica específica. Qualquer responsabilização deve decorrer de fatos apurados, e não de suposições.
O caso serve, contudo, como mais um alerta sobre a necessidade de preservar o direito à manifestação política e ao contraditório, especialmente durante um processo eleitoral. Cartazes podem ser retirados dentro das regras legais, ideias podem ser contestadas e partidos podem ser criticados — mas conflitos políticos devem ser resolvidos pelo debate público e pelos instrumentos democráticos. Em uma democracia, o adversário político não precisa ser tratado como inimigo, e a divergência não deveria transformar espaços de participação política em alvos de intimidação ou vandalismo.
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