Glauber Bastos desiste da candidatura e deixa a disputa antes das eleições
A política de Itaperuna ganhou nesta semana mais um daqueles capítulos que ajudam a explicar por que a eleição na cidade nunca vem acompanhada de tédio. Glauber Bastos desistiu oficialmente da candidatura a deputado estadual pelo PSDB nas eleições de 2026. O pedido de renúncia foi apresentado à Justiça Eleitoral e homologado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Em resumo: a candidatura que pretendia chegar à Alerj resolveu fazer uma parada estratégica antes mesmo de pegar a estrada.
Glauber vinha trabalhando sua candidatura nos últimos meses e foi apresentado como um dos nomes que buscavam ocupar o espaço de oposição no município. Reuniões, articulações, conversas e a formação de um grupo político deram a impressão de que estava nascendo mais uma candidatura capaz de movimentar o tabuleiro eleitoral. O problema é que, em política, nem todo grupo que aparece na fotografia consegue chegar junto ao dia da votação.
E foi justamente nos bastidores que o roteiro começou a ganhar contornos mais interessantes. Segundo informações apuradas, uma pesquisa interna teria colocado água fria na motivação de parte do grupo. O levantamento, aparentemente, não entregou os números que alguns esperavam. E como pesquisa eleitoral tem esse péssimo hábito de não respeitar sonhos, convicções nem discursos de lançamento, as divergências começaram a aparecer. (Continua após a publicidade).
A partir daí, o projeto teria entrado na fase conhecida nos meios políticos como “vamos conversar” . Só que, quando muita gente precisa conversar sobre a mesma coisa ao mesmo tempo, normalmente é porque a coisa já não é tão tranquila assim. Vieram as divergências, o desgaste entre membros do grupo e, finalmente, o resultado final: Glauber decidiu abandonar a disputa.
A Justiça Eleitoral apenas oficializou aquilo que a política já havia planejado. Na decisão datada de 21 de agosto, o desembargador eleitoral Guilherme Calmon Nogueira da Gama homologou o pedido de renúncia ao registo de candidatura. A publicação ocorreu no Mural Eletrônico da Justiça Eleitoral em 23 de agosto. Agora é oficial: Glauber não será candidato a deputado estadual em 2026.
A situação tem um certo sabor de ironia porque uma candidatura que vinha sendo construída para enfrentar adversários acabou sendo derrotada por um adversário que não precisa pedir voto, não faz carreata e sequer aparece no palanque: o cálculo eleitoral . Quando os números começam a falar mais alto que as apresentações políticas, até os projetos mais entusiasmados podem descobrir que existe uma diferença específica entre “ter um nome” e “ter votos”.
A resistência também provocou um pequeno terremoto no grupo que vinha sendo montado. Afinal, a campanha eleitoral não se sustenta apenas com vontade, reuniões e declarações de apoio. É preciso transformar a articulação em voto, voto em percentual e percentual em cadeira. E, pelo visto, alguém fez as contas antes que os candidatos precisassem fazer as urnas. (Continua após a publicidade).
É claro que renunciar a uma candidatura é um direito de qualquer cidadão e faz parte do jogo democrático. Não há nada de irregular em desistir de uma disputa eleitoral. O curioso, neste caso, é o contraste entre o tamanho do projeto que vinha sendo anunciado e a velocidade com que ele acabou sendo retirado de circulação.
No fim, Itaperuna ganhou mais um episódio digno do folclore eleitoral local: teve candidatura, teve articulação, teve grupo, teve pesquisa, teve divergências e, finalmente, teve renúncia. Faltou apenas combinar com a urna — mas essa, felizmente, não precisou nem ser consultada. Glauber deixa a corrida antes da largada oficial e a oposição itaperunense terá agora que reorganizar suas peças. Afinal, na política, às vezes o candidato precisa conquistar o eleitor; outras vezes, precisa primeiro convencer os próprios aliados de que vale a pena continuar correndo.
Por Fred Boechat com informações de O Guia do Estado


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