Datafolha mostra Lula na frente de Flávio Bolsonaro e realça a força eleitoral do presidente


A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (21), coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) novamente na liderança da corrida presidencial de 2026. No cenário do primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL) . O levantamento foi realizado entre os dias 18 e 20 de agosto, reuniu 2.058 participantes em 128 municípios e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

O resultado ganha importância por ser o primeiro Datafolha realizado depois do início oficial da campanha eleitoral e do registo das candidaturas. Mesmo em um cenário de disputa acirrada e de forte polarização política, Lula consegue preservar uma vantagem de seis pontos sobre Flávio no primeiro turno. A distância é ainda mais significativa quando se considera que o eleitorado começa agora a ser exposto de maneira mais intensa ao debate eleitoral, à propaganda e às propostas dos candidatos. (Continua após a publicidade).

No segundo turno, o presidente também aparece numericamente à frente: 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro . Embora o resultado esteja dentro de uma situação de proximidade estatística considerando a margem de erro, a vantagem numérica mostra que Lula continua apresentando capacidade de reunir um eleitorado mais amplo quando a disputa se transforma em uma escolha direta entre dois projetos de país.

Parte dessa capacidade de resistência eleitoral pode ser explicada pela própria trajetória política de Lula. Ao longo de décadas, o petista construiu uma imagem associada à defesa dos trabalhadores, à redução das desigualdades e à ampliação do acesso às políticas públicas. Para seus participantes, essa experiência representa uma diferença importante em relação a um candidato que carrega principalmente o sobrenome e o legado político de Jair Bolsonaro. A liderança nas pesquisas sugere que essa experiência continua tendo peso significativo na decisão de parcela expressiva do eleitorado.

Outro fator relevante é a capacidade de Lula dialogar com segmentos sociais bastante diversos. O Datafolha aponta que o presidente mantém vantagens entre mulheres, pessoas de menor renda, idosos, nordestinos e católicos , enquanto Flávio Bolsonaro apresenta desempenho melhor entre evangélicos, participantes do ensino médio ou superior e no Sul do país. A distribuição revela que a força de Lula não é especializada em um único grupo, mas espalhada por diferentes parcelas da população brasileira.


Uma pesquisa também evidenciou que a eleição ainda está longe de ser definida. A seleção dos dois principais candidatos permanece elevada: 46% dizem que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum, enquanto 45% afirmam o mesmo em relação a Lula . Além disso, a avaliação do governo Lula apresenta pontos de atenção, com a avaliação negativa chegando a 41% e a aprovação oscilando para 33%. Ou seja, a liderança eleitoral não significa aprovação irrestrita ao governo, mas demonstra que, mesmo diante das críticas, Lula mantém uma política de base suficientemente sólida para ocupar o primeiro lugar. (Continua após a publicidade).

O contraste com Flávio Bolsonaro também ajuda a compreender o cenário. Enquanto Lula tenta apresentar sua experiência política e administrativa como argumento para um novo mandato, Flávio carrega consigo a continuidade de um campo político profundamente identificado com o bolsonarismo. A disputa, portanto, não envolve apenas dois nomes, mas projetos distintos no Brasil: de um lado, a promessa de continuidade de políticas sociais e de redução das desigualdades; por outro lado, uma tentativa de manter viva a agenda política construída pela família Bolsonaro.

Ainda é cedo para transformar a pesquisa em resultado eleitoral, e a campanha está apenas começando. Mas o Datafolha desta sexta-feira oferece um sinal politicamente relevante: Lula permanece competitivo, lidera o primeiro turno e aparece numericamente à frente também no confronto direto com Flávio Bolsonaro . Mais do que os números isolados, o levantamento mostra a força de um político que, depois de décadas no centro da vida pública brasileira, continua sendo capaz de mobilizar diferentes segmentos da sociedade em torno de sua experiência, de sua história e de uma agenda política associada à inclusão social e à redução das desigualdades.

Por Fred Boechat, com exclusividade para o blog O Progresso

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