'Dark Horse': Mendonça autoriza investigação da PF sobre repasses para cinebiografia de Bolsonaro
O Ministro do STF determinou a abertura de inquérito após pedido da PF e parecer favorável da PGR. O filme ‘Dark Horse’ ganhou notoriedade após Flávio Bolsonaro pedir a Daniel Vorcaro, do Master, recursos para financiamento da produção.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar repasses financeiros suspeitos destinados à produção do filme "Dark Horse" , cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão atendeu a um pedido formal da PF, respaldado por parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O objetivo central das diligências é limpar a eventual prática de crimes financeiros e desvio de recursos no financiamento da obra cinematográfica.
As investigações do órgão policial miram, principalmente, os fluxos financeiros vinculados ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Estimativas apontam que bolsas de milhões de reais negociadas com interlocutores próximos ao clã Bolsonaro foram destinadas a fundos e empresas envolvidas na realização da produção. Entre os pontos que despertaram forte alerta nas autoridades estão fingindo que parte desses valores pode ter custado despesas pessoais e a estadia de familiares do ex-presidente no exterior.
Paralelamente aos repasses bancários diretos, apura-se também a articulação política na destinação de recursos públicos via emendas parlamentares. Notavelmente, a aplicação de palavras direcionadas por aliados do ex-mandatário para entidades e ONGs ligadas a produtores de longa data entrou na mira dos pesquisadores. A suspeita é de que emendas orçamentárias podem ter sido utilizadas de forma contornada para alavancar a infraestrutura e os custos do filme.
Uma produção internacional envolta em sigilo
Projetado para alcançar audiências globais, "Dark Horse" é dirigido pelo cineasta Cyrus Nowrasteh e rodado integralmente em língua inglesa. A trama se propõe retratar a trajetória política do ex-presidente brasileiro, destacando episódios emblemáticos como o atentado à faca em 2018, seu casamento e bastidores do poder. O elenco reúne atores internacionais como Lynn Collins e Esai Morales, além do brasileiro Felipe Folgosi.
Durante os trabalhos de gravação, uma equipe aplicou protocolos de segurança notoriamente específicos para evitar qualquer tipo de vazamento de imagens e roteiros. O conjunto contava com rotinas de revista constante de profissionais e classificação absoluta do uso de aparelhos celulares. Contudo, o que parecia ser apenas uma operação contra spoilers acabou se convertendo no epicentro de um imbróglio jurídico e financeiro.
A relatoria do caso no STF coube ao ministro André Mendonça, que impôs nível de sigilo às apurações. A despeito do tom reservado nos autos, o avanço do inquérito atinge frontalmente o núcleo político do bolsonarismo em um momento extremamente delicado. Integrantes da família afirmam que os recursos negociados tratavam-se exclusivamente de captação de financiamento privado legal para o setor audiovisual.
Impactos devastadores na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro
No epicentro do furacão, o senador Flávio Bolsonaro vê seu nome diretamente associado às tratativas de arrecadação de verbas e à emissão de notas fiscais sob investigação da PF. Diante do desgaste acumulado pelos constantes desdobramentos e escândalos do Banco Master, a pré-candidatura do parlamentar à Presidência da República vem derretendo dia após dia nos bastidores políticos e nas pesquisas de intenção de voto.
O derretimento do projeto presidencial de Flávio escancara a perda de densidade política em sua base de apoio tradicional. O avanço de apurações envolveu lavagem de dinheiro, uso indevido de emendas e operações com fundos offshore mina a previsões de seu nome frente às eleições moderadas, criando uma vácuo de liderança dentro da própria ala conservadora.
A repercussão do inquérito na Suprema Corte deve acelerar novos depoimentos de empresários, advogados e políticos citados no esquema nos próximos meses. Enquanto a defesa dos investigados sustenta a lisura de todos os contratos, a PF segue cruzando dados bancários e fiscais para determinar se a cinebiografia de Jair Bolsonaro acabou por ocorrer de fachada para repasses irregulares.


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