Sabão de Michelle em Flávio faz voto feminino escorrer pelo ralo
Todas as famílias felizes são parecidas. As infelizes exercitam a infelicidade cada uma à sua maneira. Michelle Bolsonaro aprendeu que o clã do marido gosta de lavar roupa suja nas redes, não em casa. A inimizade de madrasta pode custar mais caro para Flávio Bolsonaro do que sua amizade com Daniel Vorcaro.
A força do sabão que Michelle passou no enteado está na simulação de fraqueza. Num vídeo marcado com esmero, ela diz ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio: "Foi ríspido comigo" no telefone. Queixou-se de ser tratado "como idiota". Só porque desgostou da aliança do PL com Ciro Gomes, um notório ofensor do seu marido.
O enredo de Michelle contém dois ingredientes que estão presentes em cada dez novelas de grande audiência: humilhação e vingança. Nesse roteiro, o papel reservado para Flávio é o de machista. "Ele disse que eu não entendia nada de política", contou a madrasta má.
No último final de semana, o Datafolha mostrou que foi estancada a sangria do Dark Horse. Mas permanece a hemorragia feminina. Lula tem sua maior vantagem sobre o rival entre as mulheres: 54% a 37%. O vídeo de Michelle invejosa para o ralo o esforço de Flávio para atenuar essa aversão.
Ironicamente, Michelle seduz homens e mulheres bolsonaristas que buscam na Bíblia justificativas para defender a "submissão saudável" da mulher ao marido. Numa dinastia patriarcal, deve fazer na alma dos varões a percepção de que uma madrasta se tornou profissional da política. Cuidadora do "mito", reivindica uma cadeira no Senado com os olhos voltados para 2030.



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