Deputado Val Ceasa é investigado por suposta ligação com o TCP e apreensão de dinheiro em espécie

 

Val Ceasa (PRD) é acusado de interferir para a não demolição de 'resort' de líder do TCP

O deputado estadual Val Ceasa (PRD-RJ), nome político de Roosevelt Barreto Barcelos, tornou-se alvo de uma investigação conduzida por autoridades de segurança do Rio de Janeiro que apura possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas atuantes na capital fluminense. O parlamentar nega qualquer envolvimento com atividades ilícitas e afirma que as acusações serão esclarecidas no decorrer do processo.


As investigações ganharam força após operações realizadas por forças de segurança que buscam mapear a influência de facções criminosas sobre setores da política e da administração pública. Entre os grupos monitorados está o Terceiro Comando Puro (TCP), uma das maiores organizações criminosas em atuação no estado. Segundo os investigadores, há indícios que precisam ser aprofundados para verificar eventuais relações entre lideranças políticas e integrantes da facção.

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao deputado, agentes encontraram grandes quantias de dinheiro em espécie. Imagens divulgadas pela imprensa mostraram pilhas de cédulas organizadas em maços, fato que chamou a atenção da opinião pública e passou a integrar o material analisado pelos investigadores. A origem dos recursos está sendo apurada pelas autoridades.


De acordo com informações divulgadas pela Polícia Civil e reproduzidas por diversos veículos de comunicação, a investigação busca identificar possíveis movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas pelos investigados. A suspeita é de que parte dos valores possa ter sido utilizada em operações destinadas a ocultar a origem de recursos obtidos de forma ilícita.

O nome de Val Ceasa já havia surgido anteriormente em reportagens relacionadas à influência de grupos criminosos em determinadas regiões da cidade do Rio de Janeiro. Em uma dessas apurações, seu nome foi citado em relatos sobre supostas interferências políticas em ações de segurança pública voltadas para áreas dominadas pelo tráfico. Uma das acusações é de tentar interferir na demolição no chamado "Resort do Tráfico", área de lazer de propriedade do traficante Peixão, líder do TCP no Complexo de Israel. O parlamentar sempre rejeitou tais acusações.

"Resort do Tráfico", no RJ, tinha praia artificial, academia e monte de oração.

Os investigadores também analisam documentos, aparelhos eletrônicos, registros telefônicos e movimentações bancárias recolhidos durante a operação. O objetivo é verificar se existem conexões diretas ou indiretas entre agentes públicos, operadores financeiros e integrantes da facção investigada.


Em nota divulgada por sua defesa, Val Ceasa afirmou que está à disposição das autoridades e que confia na Justiça para demonstrar sua inocência. Os advogados sustentam que a apreensão de dinheiro em espécie, por si só, não configura crime e que toda a origem dos recursos poderá ser comprovada documentalmente.

O caso segue sob investigação e, até o momento, não há condenação ou denúncia definitiva contra o deputado. As autoridades ressaltam que a apuração ainda está em andamento e que novas diligências poderão ser realizadas para esclarecer a extensão das suspeitas e eventual responsabilidade dos envolvidos.



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