Atropelamento de idoso reacende debate sobre trânsito pesado e abandono da estrada do contorno em Itaperuna
Um grave atropelamento registrado na manhã desta terça-feira (23), na Avenida Cardoso Moreira, em frente ao Pronto Atendimento (PU) de Itaperuna, voltou a expor um problema antigo e cada vez mais perigoso para quem vive na cidade: a circulação intensa de tráfegos pesados pelo centro urbano. Segundo relatos de testemunhas, um idoso atravessou a via quando foi atingido por um caminhão que seguiu viagem sem prestar socorro. Ao que parece, o motorista não percebeu a presença do idoso atravessando em frente ao caminhão. O caso deverá ser investigado pelas autoridades policiais. Assista ao vídeo (cenas fortes).
O acidente ocorreu em uma das áreas mais movimentadas do município, justamente em frente a uma unidade de saúde que recebe diariamente centenas de pessoas, muitos idosos, pacientes com mobilidade reduzida e acompanhantes. A Avenida Cardoso Moreira é o principal corredor viário de Itaperuna e recebe diariamente um fluxo intenso de veículos de passeio, motocicletas, ônibus e trens de grande porte.
Embora as declarações do atropelamento ainda sejam apuradas, o episódio evidencia uma realidade conhecida por qualquer morador: o centro de Itaperuna não foi projetado para suportar o volume de carretas e veículos pesados que cruzam a cidade todos os dias. O resultado é um trânsito cada vez mais lento, perigoso e hostil para os pedestres.
A situação se agrava porque a Avenida Cardoso Moreira faz parte do traçado urbano da BR-356, rodovia que conecta importantes regiões produtoras de Minas Gerais ao Norte Fluminense. Ao longo dos anos, o crescimento econômico da região aumentou significativamente o transporte de cargas, transformando as ruas centrais de Itaperuna em verdadeiros corredores logísticos.
Diante desse cenário, é impossível não lembrar da antiga promessa da construção da chamada Estrada do Contorno. O projeto, defendido por diferentes lideranças políticas ao longo das últimas décadas, tinha justamente a finalidade de retirar o tráfego pesado do centro da cidade, criando uma rota alternativa para trânsitos e carretas. Entretanto, como tantas outras obras estruturantes anunciadas para a região, a proposta acabou ficando apenas no discurso.
Enquanto a estrada do contorno permanece no papel, a população continua pagando a conta. Comerciantes convivem com congestionamentos diários, motoristas enfrentam dificuldades para circular e pedestres arriscam a própria vida ao atravessar vias tomadas por veículos de grande porte. O atropelamento desta terça-feira é mais um capítulo de uma história de negligência que parece não ter fim.
O mais preocupante é que os acidentes ocorridos nos trânsitos não sejam episódios isolados. Registros frequentes de ocorrências na Avenida Cardoso Moreira e em outras vias urbanas demonstram que o problema é recorrente. A cada novo acidente, lamentam as autoridades, prometem estudos e anunciam providências, mas as soluções efetivas continuam distantes da realidade da população.
A tragédia desta terça-feira deve servir como um alerta definitivo. Itaperuna não pode continuar tratando como normal a presença de veículos pesados em áreas de grande circulação de pedestres. Mais do que encontrar o motorista envolvido no atropelamento, é preciso discutir seriamente a mobilidade urbana da cidade e cobrar dos governos municipal, estadual e federal a execução de obras que há anos são prometidas. Antes que outro acidente transforme mais uma família em vítima da omissão do poder público.
A matéria acima foi elaborada com base nas informações fornecidas em grupos de Whatsapp e em dados públicos sobre o trânsito da Avenida Cardoso Moreira e da BR-356 em Itaperuna. Caso surja registro oficial de ocorrência, atualizaremos o texto com informações reveladas sobre a vítima e a investigação policial.



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