Execução em plena via pública expõe avanço da violência em Itaperuna
Segundo relatos, cerca de 12 tiros foram efetuados contra o rapaz, que morreu ainda no local antes da chegada do socorro. Moradores afirmaram ter ouvido uma sequência intensa de disparos, em uma área bastante movimentada e considerada uma das principais vias de acesso ao bairro.
Equipes da Polícia Militar foram acionadas e isolaram a área para o trabalho da perícia. O corpo foi removido para o Instituto Médico Legal (IML). Até o momento, não há informações oficiais sobre a motivação do crime ou a identificação dos suspeitos.
Violência crescente preocupa moradores
O assassinato ocorre em meio a um cenário preocupante de segurança pública no município. Dados divulgados recentemente indicam que Itaperuna terminou 2025 como a 9ª cidade mais violenta do Brasil entre municípios com mais de 100 mil habitantes.
De acordo com o levantamento baseado em dados do Ministério da Justiça, 54 mortes violentas foram registradas no município ao longo de 2025, resultando em uma taxa de 50,3 homicídios por 100 mil habitantes.
O índice colocou Itaperuna não apenas entre as dez cidades mais violentas do país, mas também como a mais violenta do estado do Rio de Janeiro nesse recorte estatístico.
Casos semelhantes têm sido registrados com frequência, especialmente em áreas como a própria Beira-Valão, onde outros homicídios ocorreram nos últimos anos, reforçando a percepção de insegurança entre os moradores.
Sensação de abandono
Especialistas em segurança pública costumam apontar que municípios de porte médio, como Itaperuna, podem se tornar pontos estratégicos para a atuação de facções e disputas locais ligadas ao tráfico de drogas, sobretudo quando há falhas na prevenção social e no planejamento urbano da segurança.
Enquanto a Polícia Militar e a Polícia Civil seguem investigando os crimes e realizando operações para tentar identificar autores, cresce entre a população a sensação de que o poder público municipal tem atuado pouco na prevenção da violência.
Na prática, as forças policiais acabam atuando de forma reativa — chegando após os crimes já consumados — em um cenário que muitos moradores descrevem como “enxugar gelo”, diante da repetição de execuções e da falta de políticas públicas mais amplas de segurança, iluminação urbana, monitoramento e prevenção.
O homicídio desta quinta-feira volta a expor um problema que deixou de ser pontual para se tornar estrutural: a transformação de uma cidade tradicionalmente tranquila do interior em um município que hoje figura entre os mais violentos do país.
Enquanto a investigação segue em andamento, a população cobra respostas e ações concretas para conter a escalada da criminalidade antes que novos episódios como este voltem a se repetir.
Por Fred Boechat para o Blog O Progresso








Comentários
Postar um comentário