Onde foi que nos perdemos como sociedade? Por Lilian Pecly

 


​É impossível ler as notícias desta semana e não sentir um nó no peito. O que estamos permitindo que façam com nossas crianças?

​Em Minas Gerais, o Tribunal de Justiça absolveu um homem de 35 anos que estuprou uma menina de 12. A justificativa? Um suposto "vínculo afetivo" e a "formação de família".
Não existe consentimento aos 12 anos. A lei é clara e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) existe justamente para proteger quem ainda não tem maturidade para decidir sobre sua própria vida sexual. Chamar abuso de "romance" ou "família" é uma violência institucional que mata a infância pela segunda vez.


​Como se não bastasse, em Petrópolis, o então Secretário de Habitação, foi preso sob suspeita de estuprar uma criança de apenas 8 anos. Um homem em posição de poder, que deveria zelar pelo bem público, sendo investigado por um crime tão hediondo.
Quando a Justiça relativiza o estupro de uma criança, ela dá sinal verde para o predador.

​Se as instituições falham e os homens públicos se tornam predadores, a rede de proteção está esburacada.

Não podemos tratar esses casos como "fatos isolados". Eles são o sintoma de uma sociedade que ainda falha miseravelmente em priorizar a proteção integral da infância.


Precisamos de uma justiça que não seja cega para a vulnerabilidade e de uma sociedade que não se cale diante da barbárie. Nossas crianças não são "jovens namoradas", não são objetos de desejo e não podem ser vítimas do poder. Elas são o futuro, e se não as protegermos agora, que futuro restará?
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Denuncie. Fale. Proteja. Ligue 100. A infância não espera e o trauma é eterno.


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